Com inscrições abertas, concurso de ideias de arquitetura para Casa da Mulher Indígena reforça compromissos do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio

Iniciativa coordenada entre os poderes prevê ações permanentes de prevenção à violência contra mulheres, crime que atinge ainda mais as indígenas

Em 4 de fevereiro, representantes dos três Poderes da República assinaram, no Palácio do Planalto, o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. O acordo estabelece uma atuação coordenada e permanente entre Executivo, Legislativo e Judiciário para prevenir a violência letal contra mulheres e meninas no país em todo o território nacional. Em sintonia com os objetivos do Pacto, está em andamento o concurso público nacional de Ideias de Arquitetura para a Casa da Mulher Indígena (CAMI). A iniciativa, que tem inscrições abertas até 19 de março, deseja projetar espaços adequados e humanizados para o acolhimento de mulheres indígenas em situação de violência de gênero, respeitando suas especificidades culturais e territoriais.

Os registros de violências contra mulheres indígenas aumentaram 258% entre 2014 e 2023. O dado foi revelado em levantamento realizado pela publicação Gênero e Número com base no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde. O relatório destaca situações de violência física, psicológica e, principalmente, sexual. Os índices de assédio, estupro, pornografia infantil e exploração sexual envolvendo mulheres indígenas aumentaram em 297% no mesmo período, enquanto entre o contingente amplo das mulheres brasileiras, esse percentual subiu 188%.

Organizado em nível de Estudo Preliminar, o concurso para CAMI é resultado de convênio entre o Ministério das Mulheres e o Laboratório Mulheres, Arquitetura e Território (LAB Mulheres), vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB). A organização está a cargo do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal (IAB/DF).

As propostas devem contemplar soluções arquitetônicas adaptáveis aos diferentes biomas brasileiros, assegurando ambientes acolhedores e funcionais que respeitem a pluralidade cultural dos povos originários. 

Outra inovação do edital é a exigência de, no mínimo, uma mulher indígena na equipe proponente. A participação de mulheres arquitetas, especialmente na condição de responsáveis técnicas, também é valorizada no concurso.

A equipe autora da proposta vencedora assinará contrato para desenvolvimento dos Projetos Executivos com a Finatec no valor de R$ 772.869,47. As segunda e terceira colocadas também receberão premiação em dinheiro no valor de R$ 30.000,00 e R$15.000,00, respectivamente.

Para participar, as equipes devem se inscrever até 19 de março. Já o prazo de envio das propostas é entre 28 e 31 de março. O edital completo, com todas as informações sobre critérios de participação, prazos e diretrizes do projeto está disponível no site oficial concursocami.org.br. Acesse aqui. 

Serviço:

O quê: Concurso Público Nacional de Ideias de Arquitetura para a Casa da Mulher Indígena (CAMI)

Inscrições: até 19 de março

Edital e informações: https://concursocami.org.br/

 
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